CARTOGRAFIAS DO TEMPO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS: CONFIGURAÇÕES, RITMOS E DINÂMICAS
O tempo constitui uma dimensão fundamental da experiência humana e da organização da vida social. Longe de se reduzir a uma sucessão linear e homogénea de instantes, o tempo é também uma construção social, histórica e cultural, cujas formas de organização, perceção e apropriação variam entre contextos, sociedades e épocas. Enquanto categoria de análise e objeto de reflexão, permite interrogar os modos como os indivíduos e as coletividades habitam o presente, estabelecem relações com o passado e projetam possibilidades de futuro.
Nas ciências sociais, pensar o tempo implica reconhecer a pluralidade das suas configurações e a diversidade dos ritmos que estruturam a experiência social. Das temporalidades quotidianas às grandes transformações históricas, dos tempos institucionais aos tempos biográficos, das memórias coletivas às expectativas de futuro, dos modelos de produção e consumo ao ambiente mediático multiplicam-se escalas, durações e experiências temporais que nem sempre coincidem ou se articulam de forma harmoniosa.
Que tempos habitamos? Como se constituem e transformam as temporalidades sociais? De que modo diferentes ritmos coexistem, se sobrepõem ou entram em tensão? Que relações se estabelecem entre tempo, memória, identidade, poder e mudança social? E de que instrumentos conceptuais e metodológicos dispomos para cartografar estas experiências e dinâmicas temporais?
Partindo destas interrogações, as Jornadas Doutorais em Ciências Sociais pretendem promover o diálogo interdisciplinar e estimular a partilha de perspetivas (teóricas e metodológicas) que contribuam para aprofundar o lugar do tempo na análise da realidade social. A partir da experiência de cada doutorando, este tema constituirá também uma oportunidade para debater a relação do tempo com a produção científica. Como pode o tempo influenciar os protocolos de investigação? Em que medida é o tempo um desafio para os procedimentos científicos? Como aderir a movimentos de “abrandamento” (como o movimento slow science) numa altura em que se experimenta sobretudo uma exigência de velocidade?